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Os votos antecipados estão batendo um novo recorde nos EUA, mais de 49 milhões de pessoas já votaram

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos registraram um número recorde de votos antecipados em 2026, com mais de 49 milhões de americanos já tendo participado da votação antes do dia oficial do pleito. O volume superou os aproximadamente 45,9 milhões de votos antecipados contabilizados em 2022 e chamou a atenção por ocorrer em uma disputa que poderá modificar o equilíbrio de forças no Congresso. O resultado das urnas, marcado para 3 de novembro, será acompanhado de perto pelo presidente Donald Trump, porque a perda da maioria republicana na Câmara dos Representantes ou no Senado poderá dificultar a condução de seu governo.

Os dados do Election Lab, da Universidade da Flórida, indicaram que a participação antecipada alcançou um patamar superior ao registrado na eleição legislativa anterior, mesmo antes do encerramento do período de votação. A modalidade permite que os eleitores depositem seus votos presencialmente ou enviem as cédulas pelo correio, conforme as regras estabelecidas em cada estado americano. O crescimento ocorreu em diferentes regiões do país, inclusive em estados onde as disputas pelo Senado são consideradas importantes para determinar qual partido terá o controle da Casa.

A votação antecipada também ganhou relevância diante dos índices de aprovação de Trump e das pesquisas que apontaram vantagem dos democratas na preferência dos eleitores registrados. Um levantamento Reuters/Ipsos divulgado em 26 de outubro indicou que apenas 32% aprovavam o desempenho do presidente, enquanto a preferência partidária para o Congresso apontava 47% para os democratas e 36% para os republicanos. Embora esses números não determinem o resultado das eleições, ajudam a explicar por que a disputa legislativa passou a representar um teste  político para a administração republicana.

Mais de 49 milhões de americanos votaram antes do dia oficial

O recorde de participação antecipada foi registrado pelo Election Lab da Universidade da Flórida, que acompanha os dados divulgados pelas autoridades eleitorais estaduais. Até a sexta-feira, 30 de outubro, mais de 49 milhões de eleitores já haviam depositado suas cédulas, superando a marca de aproximadamente 45,9 milhões registrada antes das eleições de meio de mandato de 2022. O crescimento demonstra a dimensão da mobilização eleitoral neste ciclo, embora o número de votos antecipados não represente, isoladamente, uma previsão de comparecimento total ou de resultado.

A participação antecipada apresentou números expressivos em estados que concentram disputas importantes para a composição do Senado, entre eles Texas, Carolina do Norte e Kansas. No Texas, mais de seis milhões de pessoas já haviam votado antecipadamente até a quarta-feira, segundo os dados estaduais citados nas informações sobre o pleito. O estado chama a atenção porque o democrata James Talarico tenta conquistar uma cadeira no Senado e interromper uma sequência de décadas de domínio republicano na representação estadual.

Outro dado observado pelos pesquisadores envolve a identificação partidária dos eleitores que já participaram da votação. Nos estados que registram formalmente a filiação política, os democratas representavam aproximadamente 44% dos votos antecipados, enquanto os republicanos correspondiam a cerca de 31%, e os demais eleitores somavam aproximadamente 25%. Essa distribuição, porém, não revela em quais candidatos cada pessoa votou, pois a filiação partidária não determina necessariamente a escolha feita na cédula.

Controle do Congresso pode mudar os rumos do governo Trump

As eleições de meio de mandato renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, além de envolver disputas estaduais e locais. Diferentemente da eleição presidencial, o pleito não escolhe um novo presidente, mas pode alterar a composição do Congresso e a capacidade de Trump de aprovar projetos e conduzir sua agenda. Atualmente, os republicanos possuem uma maioria estreita nas duas Casas, situação que torna relevantes as disputas em estados onde democratas e republicanos apresentam candidaturas competitivas.

Na Câmara, os republicanos começam a disputa com 218 cadeiras, contra 214 dos democratas, enquanto outras vagas completam a composição parlamentar. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam conquistar pelo menos quatro assentos, conforme a configuração considerada na disputa. No Senado, os republicanos possuem 53 cadeiras, diante de 47 ocupadas por democratas e aliados, e os democratas também precisam conquistar quatro vagas para alcançar a maioria.

Uma eventual mudança de controle não retiraria Trump da Presidência, mas modificaria as condições políticas de seu mandato. Caso os democratas conquistem uma ou as duas Casas, poderão assumir o comando de comissões, influenciar a pauta legislativa, dificultar a aprovação de propostas do governo e ampliar a fiscalização sobre integrantes da administração. O Congresso também tem instrumentos para realizar investigações e convocar autoridades, o que pode aumentar a pressão política sobre a Casa Branca durante a segunda metade do mandato presidencial.

Popularidade de Trump e participação eleitoral entram no centro da disputa

A avaliação do governo republicano aparece como um dos fatores importantes para compreender o cenário das eleições de 2026. A pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro apontou aprovação de 32% para Trump, índice que representava um dos momentos mais baixos de sua administração. O mesmo levantamento mostrou que, entre os eleitores registrados, os democratas tinham preferência de 47% a 36% sobre os republicanos na disputa pelo Congresso, indicando um ambiente de competição que preocupa o partido do presidente.

Entre os eleitores que já votaram antecipadamente está o papa Leão XIV, nascido em Chicago, no estado de Illinois, que participou da votação nos Estados Unidos. A presença do pontífice entre os votantes chamou atenção porque ele já havia feito críticas públicas a posições do governo Trump, especialmente em assuntos relacionados à imigração e ao conflito envolvendo o Irã. Ainda assim, o voto individual do religioso não permite concluir qual candidato recebeu sua escolha, já que a cédula é secreta.

Especialistas também alertam que os números da votação antecipada precisam ser interpretados com cautela, pois milhões de americanos ainda podem comparecer às urnas no dia 3 de novembro. A participação de democratas entre os primeiros votantes não garante que o partido manterá a mesma vantagem quando forem contabilizados os votos presenciais do dia oficial, especialmente porque os republicanos costumam apresentar maior participação nessa modalidade em determinados estados. O resultado final definirá a composição do Congresso e indicará o tamanho da força parlamentar que Trump terá para conduzir os últimos dois anos de seu mandato.